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A verdade sobre o Cérebro Trino

 

Matheus Milan, Professor, Neurocientista, Escritor, Coordenador da 1ª Pós-Graduação, no Brasil, em Neurociência aplicada ao Direito e Comportamento Humano e fundador do Clube NAS (clube de estudos das neurociências afetiva e social), aborda o tema “A verdade sobre o Cérebro Trino” com Cibele Marques de Souza, Diretora de Marketing da FasTest Brasil e João Pentagna, sócio-fundador da Atingir +.

 

Tópicos abordados neste Episódio:

- A correlação das forças internas com a teoria do Paul Mc Lean

- Porque a teoria do Paul Mac Lean foi derrubada

- Porque ainda utilizam a teoria do cérebro trino como referência

- Os processos da arquitetura emocional

- A teoria das emoções construídas de Lisa Feldman

Cibele abre o episódio comentando que vai falar sobre a verdade sobre o cérebro trino. Diz que, quem conhece um pouquinho de Neuromarketing, já ouviu falar sobre essa teoria. Ela Foi desenvolvida pelo neurocientista Paul McLean nos anos 70 e, segundo essa teoria, nosso cérebro é dividido em 3 unidades funcionais distintas. Então o cérebro humano seria composto por 3 sistemas interdependentes, o reptiliano, o límbico e o neocórtex. Para construir a teoria do cérebro trino, Paul McLean utilizou o embasamento das forças internas,

 

Matheus explica que o conhecimento sem ação é em vão. Diz que nem tudo o que estudamos e que lemos, conseguiremos aplicar, porque é um desafio. No entanto o esforço que realizamos para aplicar, se conseguirmos de fato não só nós teremos os benefícios, mas as pessoas com quem trabalhamos, a organização na qual trabalhamos. O desenvolvimento pessoal que buscamos refletirá no desenvolvimento profissional.

 

Matheus Milan começa explicando o que são forças internas e se essas forças têm correlação com a teoria do Paul Mc Lean. Começa perguntando se tudo o que escutamos em relação ao cérebro trino é verdade? Isso é mentira, é um mito e explica essa teoria.

 

O cérebro reptiliano possui 3 principais subdivisões, que é encéfalo, ponte e bulbo, que é uma estrutura mais primitiva, típica da fase evolutiva animal. É responsável pela esses comportamentos e respostas instintivas e estereotipadas. Porém, segundo o McLean, existe outra camada que foi desenvolvida, que chamamos de um sistema límbico, ou cérebro mamífero primitivo. Este sistema seria responsável pelas respostas emocionais, sexuais e até mesmo agressivas. O terceiro e último, é o cérebro, mamífero superior que é composto pelo córtex cerebral. Ele vai estar relacionado com essas funções superiores, como a criação de expectativa e criação de cenários.

 

Sobre as 3 forças internas ele pede que se imagine em casa à noite cozinhando ou pedindo um iFood para o seu marido ou esposa. A outra pessoa está tomando um vinho enquanto você está cozinhando. Enfim vocês se sentaram para comer e começaram a falar de política, de um partido específico. Você está defendendo ali o Bolsonaro e a outra pessoa, o Lula. Você começa a ficar à com raiva do seu marido/esposa. Você começa a ficar com raiva dessa pessoa, porque ela está defendendo um político que você tem nojo, repulsa. Hoje sabemos que os nossos instintos emocionais são uma mistura de emoções e afetos, eles dão embasamento e são o alicerce para as nossas orientações políticas, partidárias, econômicas e de consumo também. Depois disso vocês ficam brabos um com outro. O que vocês fazem como velhos parceiros de um matrimônio? Resolvem compartilhar afetos íntimos.

Nesse breve cenário hipotético, você teve a influência dessas 3 forças internas.

 

A primeira força interna que foi pedir um iFood ou cozinhar é a fome, a sua necessidade básica instintiva de você buscar um alimento. A partir do momento que vocês começaram a construir um raciocínio analítico e crítico sobre uma perspectiva política ou sobre um alguém de algum partido ou a situação econômica do país, temos a terceira força interna. Essa construção dos pensamentos racionais que é a sua razão. Porém, no momento que você estava discutindo e sentiu raiva, nojo ou distanciamento, seus estados fisiológicos estavam alterados nesse momento. Você estava sendo possuído ou possuída pelas pela sua segunda força interna, que são as suas emoções que conduzem as suas necessidades afetivas. Situações como essa acontecem todo dia. Em toda a negociação que você faz, todo o processo de venda,

Quando você entra numa loja e o vendedor vem em direção à sua direção, se você tem um traço de personalidade mais intrínseco na sua personalidade, você tem uma tendência a se afastar desse vendedor. Se ele ficar enchendo, pegando no seu pé, mesmo que na percepção dele seja simpático, o consumidor enxergará isso como invasivo. Então ele terá essa força interna do afeto e do afastamento da venda ali no consumo.

 

Quem iniciou o compartilhamento dessas 3 forças foi o Martin Lindstrom, famoso pelo livro “A lógica do consumo”. Quem iniciou essa visão neuro psicofisiológica tripartida das forças internas foi Platão em “A República”. Ele já tinha essa percepção do que conduzia os pensamentos e os interesses, os vícios da mente e do comportamento humano. Então Platão já iniciava essa guerra sobre essas forças internas.

 

Muita gente já ouviu falar ou fez curso que falava sobre o cérebro trino. O problema é que esses professores não explicam o que que veio depois, eles param ali. Claro que nós precisamos entender a história. Quem não conhece a história possivelmente praticará os mesmos erros do passado no futuro e no presente. Então é importantíssimo conhecemos a história nesse sentido.

 

Matheus diz que fez um curso com uma pessoa bem famosa no meio do Neuromarketing que ensinou sobre a teoria do cérebro trino. Depois, no privado Matheus o indagou e a justificativa é que esse conceito “vende mais fácil”.

Há 3 tipos de ignorância na mente humana:

  1. A estupidez intencional é aquela que você sabe do fato, mas não dá opinião. A opinião é sua. Você está confundindo fato com opinião. E você defende aquela ideia de uma perspectiva mais romântica.
  2. Tem a ignorância absoluta. É aquela que a ausência de saber que nós nunca saberemos de tudo que pode ser sabido
  3. A ignorância inteligente. Se provocar em buscar para saber mais. Tem o reconhecimento da ignorância em relação ao saber, há um conhecimento e se busca outras fontes

 

Cibele diz que a teoria do cérebro trino é comercialmente mais bonita de se vender pois faz parte das teorias que já estão consolidadas na cabeça das pessoas. João comenta dizendo que essa teoria é extremamente didática. Matheus complementa que fica muito fácil explicar com base naquilo e não ir além. A neurociência avançou, a neuroimagem proporcionou grandes avanços e isso talvez se torne muito rebuscado e não adequado para aquele o público que comprou aquele curso. Cita que, obviamente, existe a questão é ética. Palestrantes e professores têm o papel de formar opinião por serem pessoas com credibilidade e autoridade.

Matheus faz uma analogia com uma pessoa que passa por uma banca de jornal na Avenida Paulista ou está em suas redes sociais e vê uma notícia “conquiste o tanquinho que você desejou em 10 dias, ou conquiste a pessoa da sua vida em 10 dias, fazendo esses 10 passos”. Isso nos dá um conforto, porque isso nos leva a ativar muitos vieses cognitivos e, na neurociência do comportamento humano, o cérebro busca ao máximo evitar o consumo maior de energia (gordura e glicose). Quando essa pessoa tem um viés de status quo, quer buscar aquilo que a mantém no seu padrão comportamental. Ela vê algo diferente e percebe que o valor energético mental investido naquilo será muito maior do que realmente está disposta a gastar, vai na opção mais fácil.

 

Matheus aborda a nova teoria das emoções construídas de Lisa Feldman,que traz o entendimento na perspectiva do desenvolvimento das emoções. Nessa teoria basicamente ela demonstra as revisões de mapeamento cerebral demonstrando que não há circuitarias específicas, não há divisões lineares, transparentes, claras no cérebro humano, mas a construção de documento arbóreo de cada região. A teoria das emoções construídas é a teoria mais nova por enquanto, mais aceita. “Por enquanto” porque nunca sabemos, na ciência, quando outras teorias podem surgir.

 

Segundo Lisa nesse seu trabalho, ela compartilha a construção emocional da circuitarias. Elas funcionam em 3 elementos básicos, a intercepção, os conceitos e a realidade social. O que que significa isso? É todo um histórico, desde o momento que estávamos na barriga das nossas mães quando estamos sendo expostos a elementos do contexto. Esses elementos sensoriais estavam sendo absorvidos pelo sistema nervoso periférico aí chegando no sistema nervoso central, entrando no tálamo, mandando para outras regiões e córtex para acontecer as lapidações sensoriais.

 

Matheus aborda os processos da arquitetura emocional nos dias de hoje e menciona o pai da neurociência afetiva, o Jaak Panksepp. Ele trabalha o cérebro dos mamíferos que possuem 6 ou 7 arquiteturas primitivas afetivas, que está relacionado com as emoções básicas primárias que foram trabalhadas pelo Charles Darwin e fazem relação até com o Freud e William James, o pai da psicologia Moderna Americana. Isso é importante para entender os rastros fisiológicos para o processamento e a articulação da tomada da decisão e comportamento humano.

 

É recomendado um gestor de RH entender esses processos afetivos, como o sistema nervoso se relaciona com os outros sistemas nervosos (outras pessoas). Isso é neurociência social, cuja referência é John Cacioppo. Infelizmente os profissionais de recursos humanos, de vendas, de negociação, não têm ideia da existência desses conceitos. Matheus diz que a estruturação da arquitetura afetiva para uma palavra que eu estou articulando aqui não será a mesma ou o mesmo vocábulo que eu utilizaria no processo de negociação.

 

A neurociência social nos ajuda a entender como nos comportamos em relação aos ambientes ou contextos específicos. Nós somos animais sociais por isso sofremos os impactos da solidão, do bullying e da exclusão social.