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Alimentação e Microbiota

 

Cibele Marques de Souza, Diretora de Marketing da FasTest Brasil e João Pentagna, sócio-fundador da Atingir+ abordam neste Podcast o tema “Alimentação e Microbiota”.

Cibele inicia o Podcast contextualizando o que é microbiota e explica que, antes do bebê nascer, seu trato gastrointestinal é estéril, mas ao nascer e logo em seguida adquire bactérias do ambiente e da mãe. Uma vez estabelecida, a microbiota permanece relativamente estável no adulto. No entanto, fatores ambientais e dietas podem causar mudanças na composição, conhecida como disbiose intestinal. Em diversos estudos tem sido associada ao surgimento de doenças inflamatórias crônicas como diabetes e síndrome metabólica.

 

Por exemplo, mudanças na microbiota intestinal têm sido associadas a um fenótipo obeso, em particular pela diminuição na proporção de bactérias do tipo Bacteroidetes e aumento proporcional de Firmicutes.

 

É razoável supor que a microbiota intestinal afeta o ganho de peso, uma vez que promove o aumento da absorção de monossacarídeos e o armazenamento de triglicerídeos em adipócitos na pessoa e desempenha um papel essencial no processamento de polissacarídeos dietéticos.

 

Os médicos acreditam cada vez mais que a função do nosso sistema digestivo vai muito além de simplesmente processar a comida que ingerimos. E mais, eles estão investigando se ele poderia ser usado para o tratamento de doenças mentais ou do sistema imunológico.

 

Nosso corpo é uma máquina perfeita e totalmente interligada. Alterações na microbiota intestinal podem facilitar ou dificultar a absorção de triptofano. O triptofano é encontrado na corrente sanguínea em condições normais, um aminoácido aromático essencial para a ‘síntese’ dos neurotransmissores.

 

A presença de determinadas bactérias em nossa microbiota intestinal está associada a um melhor desempenho cognitivo, incluindo um efeito positivo na memória imediata e recente (revista científica Cell Metabolism).

 

Cibele conta sua experiência com a Dukan dieta que fez há alguns anos. Esta dieta é super restritiva em relação ao consumo de carboidratos onde não é permitido nem mesmo o consumo de frutas. Essa restrição ocorre para que o corpo entre em um processo chamado cetose, acelerando o processo de emagrecimento, o que realmente acontece de forma rápida.

 

Durante o período que fez esta dieta declarou ter tido desequilíbrios principalmente em relação a humor, o quais eram percebidos claramente pelas pessoas com quem ela convivia. Também relatou queda de performance para solução de problemas e alguns momentos de reflexão negativa sobre a vida, que julga terem sido sinais de uma eminente depressão. Julga que, certamente, a mudança da alimentação comprometeu sua microbiota e todo seu organismo foi afetado.

João também afirma ter tido experiências similares na prática de dietas e aprendeu, ao longo do tempo, que a busca do equilíbrio é o caminho mais saudável em todos os aspectos, inclusive o cerebral. Quando falamos em biologia comportamental, que é a interdisciplinaridade entre a neurociência, a biologia e as ciências sociais comportamentais, encontramos muitas explicações de como conseguimos encontrar esse equilíbrio.

 

Nossos genes e microbiota são responsáveis por estimular os neurotransmissores e os hormônios que alimentam o cérebro, onde nascem nossos comportamentos. A microbiota é fruto da nossa alimentação que pode ser modificada e assim, alterar a síntese de hormônios e neurotransmissores. Fatores externos como hábitos, nossa história pessoal, cultura e a relação com a comida desencadeiam o bom ou o mau funcionamento da nossa microbiota.

 

Muitas pessoas dizem que o intestino é o segundo cérebro. Segundo a ciência, nosso cérebro tem aproximadamente 86 bilhões de neurônios enquanto o intestino tem 500 milhões. Apesar da diferença numérica ser relevante, ele é o 2º lugar do corpo em número de neurônios e é ligado ao cérebro pelo nervo vago. Também sabemos que 90% da serotonina, que é reguladora de diversos mecanismos de bem-estar e performance cognitiva, é produzida no sistema digestivo. Se não nos alimentamos nem dormimos bem, nosso desempenho cognitivo será facilmente afetado.

 

Cerca de 50% da dopamina, neurotransmissor relacionado a sensação de prazer, também é produzida no sistema digestivo. Pessoas que tem esse neurotransmissor desequilibrado podem ter compulsão ou delírios. Ter desequilíbrio nos neurotransmissores pode desencadear baixa autoestima ou depressão em casos mais extremos. Por outro lado, pessoas que tem a serotonina muito alta, podem ser ansiosas. O equilíbrio, como já foi falado, é o ideal e o conseguimos estando com a microbiota saudável.

 

Pessoas muito estressadas tem alto nível de cortisol que causa mal-estar, sentimentos negativos, enxergam apenas o lado ruim de tudo, inclusive em negociações. Tudo impacta nos negócios. Quando o comportamento na negociação é consultivo, visando solucionar a dor do cliente, as experiências positivas são promovidas, os níveis de dopamina e serotonina são produzidos em quantidades adequadas. Ao passo que, o vendedor chato, tirador de pedido, desencadeia a produção de cortisol acima do necessário.

 

A alimentação que auxilia o bom funcionamento da microbiota é composta de prebióticos e probióticos. Os probióticos são as bactérias benéficas do nosso organismo, aquelas que vão povoar a microbiota presentes em iogurtes, kefir, chocolate amargo, kombucha. Os prebióticos são as fibras utilizadas na alimentação dessas bactérias como o alho, cebola, banana, aveia, maçã, semente de linhaça, farelo de trigo...

 

Cada pessoa tem uma assinatura de odor única. Tanto os genes, quanto a alimentação influenciam diretamente no nosso odor que é, na maioria das vezes, imperceptível. Somos mamíferos afinal das contas e, quando não gostamos do cheiro de alguém, podemos ter dificuldades em negociações ou no trato no dia a dia.

 

João finaliza afirmando que a dieta mediterrânea sempre foi associada a saúde cardiovascular. Recentemente uma pesquisa realizada na Espanha, por 3 anos, com 487 voluntários com idade média de 65 anos mostrou que essa dieta também é boa para a saúde cognitiva.

 

Alimentos ricos em ômega 3, presente especialmente no salmão, são extremamente importantes para a auxiliar a transmissão de informações entre os neurônios, as sinapses.

 

Em resumo, a gente é o que a gente come!