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Metaverso e Neurociência

 

Henrique Teixeira, Perito em inteligência de Negócios Digitais e estrategista de performance no Marketing Digital. Conselheiro, Empresário, Palestrante, Neuropesquisador e Professor de Especializações em Neuromarketing, aborda o tema “Metaverso e Neurociência” com Cibele Marques de Souza, Diretora de Marketing da FasTest Brasil e João Pentagna, sócio-fundador da Atingir +.

 

Tópicos abordados neste Epísódio:

- Neuromarketing e Metaverso

- A convergência de big data e CRM na era da singularidade

Metaverso é um termo que está na moda, mas será que as pessoas sabem o que que é metaverso de verdade?

 

Cibele explica que metaverso é uma espécie de nova camada da realidade que integra o mundo virtual e real. Na prática é um ambiente virtual imersivo que é constituído por tecnologias que a gente já conhece como realidade virtual, realidade aumentada e holograma. Em 2003 foi lançado o Second Life, que era bem semelhante ao metaverso. As pessoas podiam criar avatares e socializar com os outros nesse game, mas por que que não deu certo? Por que ele não conseguiu unir completamente o mundo real e virtual? Um dos motivos que esse projeto não deu certo foi porque as pessoas não podiam ganhar dinheiro ou até mesmo ter uma propriedade virtual, ou seja, não havia uma economia digital, coisa que hoje é possível. A ideia do metaverso do agora é que as pessoas possam interagir umas com as outras e trabalhar, estudar, ter uma vida social, tudo por meio de avatares. Em resumo, as pessoas não são mais observadoras do virtual, mas elas fazem parte dele.

 

Ela complementa que, apesar de estar na moda, esse termo é antigo. Ele foi criado por Neal Stephenson para um livro de ficção científica chamado Snow Crash, que foi publicado em 1992. Conta a história de Hero, que é um personagem que na vida real é entregador de pizza, mas no mundo virtual ele é um Samurai.

 

Henrique se apresenta dizendo que é perito em negócios digitais. Tem se aprofundado em inteligência de negócios e também é professor em Neuromarketing. Diz que tem um perfil muito diferente, muito eclético pois teve a sorte de ter tido uma experiência muito diversa em sua carreira. Começou como Consultor empresarial, fazendo um curso técnico no Sebrae. Depois passou alguns anos trabalhando com arte, então suas graduações são na área de arte, de estética, de imagem. Fez mestrado na área de uma imagem de tecnologia. Toda essa experiência o ajudou a entender o comportamento das pessoas de forma neurologicamente correta.

 

 

Afirma que isso abre uma chave muito poderosa para influenciar comportamentos. Complementa dizendo que influência em comportamento tem que ser ética, porque tem muita gente que às vezes faz isso para o lado negro da força. Porque funciona, se forem usados certos gatilhos neurológicos, neurohacks de forma consistente, é possível influenciar comportamento, inclusive de compra.

 

O Metaverso está despertando um interesse muito grande por parte da mídia. Muito em função da troca do nome da empresa, dona do Facebook. Logo após essa mudança de nome, a NRF (feira do varejo mundial) falou muito sobre o metaverso também. Sabemos que, na realidade, tem muita coisa a evoluir para o metaverso realmente entregar tudo o que ele pode entregar em termos cognitivos no varejo, por exemplo.

Henrique diz que o termo Metaverso tem sido compreendido de um jeito um pouco desconectado da realidade. Pontua 3 formas de entender o metaverso:

  1. como o mercado está nesse primeiro movimento;
  2. como o mercado está pensando que isso vai convergir;
  3. uma aposta.
  4.  

Diz que a terceira é a mais promissora em termos de geração de oportunidade de negócios.

 

Henrique conta que, por incrível que pareça, ainda tem gente do marketing e de do mercado que enxerga que metaverso é simplesmente mais um canal e, assim como a internet, um canal de vendas, assim como talvez boca a boca. Diz que tem muita gente achando que o metaverso é só aquela plataforma de realidade virtual que usamos colocando um óculos. Um ambiente de um ecossistema de venda e não está super errado, mas é uma visão muito limitada do que está acontecendo.

Quando o Facebook mudou seu nome foi decorrente da decadência em sua base de usuários. Ele já vinha percebendo que ele precisava de ter uma grande novidade visto que estava caminhando com um certo declínio. Outro ponto é que o Facebook vinha de uma série de acusações muito graves e sensíveis com relação à proteção de dados. Conjuntamente com alinhamento político, influenciou negativamente a credibilidade do Facebook.

 

O metaverso do Facebook não é o metaverso global. É uma leitura que o Facebook tem de metaverso e que seria essa parte dessa primeira hipótese. É mais um canal que as pessoas vão se encontrar, um lugar virtual em que as pessoas vão convergir.

 

Com essa leitura de metaverso, algumas outras coisas começaram a se acoplar. Como por exemplo, NFTs, a tecnologia de blockchain para se criar objetos digitais únicos e quando começamos a pensar que existe a possibilidade de criar objetos que são digitais, mas são únicos, a gente começa a criar a possibilidade de ter algo parecido com nós mesmos. Isso nunca foi possível, mas com essas tecnologias novas começou a ser vislumbrada essa possibilidade, aí é quando entramos na segunda camada de metaverso.

 

O que é esse lugar onde as pessoas vão ter esses objetos únicos de valores digitais e vão poder se comunicar, vão poder consumir informação e entretenimento? Essa segunda visão, para simplificar bastante, é como se fosse o lugar onde temos realidade aumentada (que é sobreposição da nossa realidade de coisas), realidade virtual (utilização de óculos ou de algum tipo de dispositivo) e poder entrar no cyber espaço. Isso tudo está convergindo no mesmo lugar. Nesse lugar, pode existir muita oportunidade para branding. Tanto que McDonalds e Adidas já criaram os seus NFTS. Criaram objetos digitais para poder garantir seu espaço no metaverso.

Só que aí que é a hora que passa o coelhinho da Alice. Passa aquele coelho branco e vamos segui-lo para o buraco, que é o terceiro nível. Esse nível que Henrique diz estar interessado, que acontecerá quando estivermos convergindo através de realidade virtual em todas as redes sociais no mesmo lugar, em um espaço compartilhado digital. Ele diz que existe uma grande chance de temos uma revolução tecnológica que está muito silenciosa.

 

Ele diz que escutou um pesquisador do MIT afirmar sobre um momento sobre a digitalização dos objetos cotidianos. Vamos pensar, por exemplo, a televisão. Por mais que hoje ninguém fala mais de televisão, ela é um canal de vendas, uma vaca sagrada da do marketing e ela pode virar uma coisa 100% digital. Como é que funcionaria isso? Tem uma série de novas tecnologias de óculos de realidade aumentada que estão para sair e que, junto com computação em nuvem, vão tornar obsoleto todos os objetos tecnológicos que a gente tem hoje.

Pode ser que todos os objetos que temos virem ou um óculos de realidade aumentada ou um implante intra cutâneo que se conecta diretamente com o cérebro. O objeto vai ter valor ou a informação terá? Henrique dá um exemplo no qual ele vai assistir um filme com sua esposa, com seus filhos. Em vez de assistir em uma televisão física, ele cria uma televisão do tamanho que quiser, na posição que quiser, na sua sala. Neste momento todos sincronizam a visão daquela mesma televisão, daquele mesmo evento digital dentro desse chip ou desse óculos virtual. E essa tecnologia pode ser que torne obsoleta empresas que hoje são as maiores do mundo.

 

Cita a Apple, como exemplo. Se a Apple não tiver na ponta da criação desse aparelho, provavelmente vai perder valor de mercado pois vai deixar de ser a empresa que ela é hoje. Isso é uma tendência real, imediata, que está para acontecer. A pandemia acelerou muitas coisas e nos deixou um pouco distraídos com as coisas digitais e isso está correndo no plano de fundo como a crise de microchips. Em vez de conseguirmos fazer 10 aparelhos com 10 microchips, um aparelho só com esse microchip para poder fazer esse acesso digital do mundo das coisas.

 

Afirma que vai mudar completamente a nossa realidade. Pode ser que até o carro que as pessoas têm passará a ser um skin digital. A pessoa compra um carro que no mundo físico, é um carro igual, só que todo mundo vai enxergar o carro com skin digital, porque todo mundo vai usar uma realidade aumentada. O Marketing tem que estar antenado no comportamento humano, nessa situação. Hoje deve acompanhar onde que está sendo a geração de valor real.

 

O estudo de tendência comportamental, através de Neurociência aplicada para Marketing, nos traz teses que, se plugarmos a uma boa base de dados certos e estruturados, consegue obter uma análise de padrão preditivo que ajuda muito para vender na hora certa, com menos atrito, com menos esforço. Temos percebido que o grande valor do CRM no mercado brasileiro é trazer inteligência para a venda, inteligência para um momento de pontos de contato com o cliente. Saímos de um paradigma de forçar a venda e vamos para um cenário que é possível achar a janela de oportunidade que gera um ticket maior, que gera um negócio maior. Quando pegamos um CRM alimentando um banco de dados, integrado a outras Fontes de dados, começamos a criar data pool ou data Lake. Juntamente a um algoritmo que é fundamentado em Neuromarketing, é possível pegar esses dados e achar os padrões. Esses padrões que vão explicar o comportamento de compra do cliente para poder melhorar as suas ações de venda, treinar sua equipe de vendas. Trazendo para a parte prática se temos um CRM bem implementado, um banco de dados que está gerando informações significativas e coerentes, e consegue acoplar uma inteligência artificial que tem essa fundamentação em Neuromarketing, ela vai poder te sugerir coisas que não são óbvias e que ajudam muito a vender mais e vender melhor. Exemplo: qual é o melhor horário para oferecer um desconto de 10% numa passagem aérea?

 

Há uns 5 anos tivemos uma febre de promoções de passagens, de madrugada. Todo mundo ficava acordado porque sabia que ia receber o tal do e-mail ou um cupom de desconto. Isto já é efeito com CRM com big data. Análises de big data aplicada a marketing e vendas estão acontecendo, só que ainda é um estágio inicial, dá para fazer coisas muito mais sofisticadas. Por exemplo, se cruzamos os dados de comportamento e tipo de cliente a uma base de dados bem tratada, é possível encurtar muita coisa em termos de tempo de proposta de serviço para cliente.

 

Henrique diz que conhece uma startup de tecnologia que trabalha com serviços de manutenção de ar-condicionado e manutenção empresarial. A grande sacada é que ela usa um algoritmo, inteligência artificial para fazer orçamentos muito mais rápido que o mercado consegue fazer. Isso é um exemplo de benefício que pode trazer desse cruzamento. Não precisa ser complexo, pode ser simples. Por exemplo, qual é o melhor horário para oferecer meu produto para o meu cliente?

 

Hoje existem limitações pelo fato dos CRMs não terem sido bem implementados. É preciso ter disciplina dentro das organizações para estruturar os dados, senão será muito difícil para um profissional de inteligência de negócios conseguir chegar a uma solução. Porém essas novas inteligência artificiais, como Watson, como SalesForce, elas já estão conseguindo sozinhas estruturar os dados. Aí vamos ver uma explosão de uso de big data, que são cruzamentos desses dados para fazer melhorias de processos de venda.