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Neurociência Aplicada à Educação

 

Veronica Ribeiro, Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Neurociências e Biologia Celular (PNBC-UFPA), Mestra em Neurociências e

graduada em Licenciatura Plena em Ciências Biológicas, aborda o tema “Neurociência aplicada a educação” com Cibele Marques de Souza,

Diretora de Marketing da FasTest Brasil e João Pentagna, sócio-fundador da Atingir +

 

Tópicos abordados neste Epísódio:

- Neurociências e Educação

- As novas tendências em Neuroeducação

- O papel da Neuroeducação como ferramenta do “futuro”

- O que é Design Neuroeducacional

 

Neurociência aplicada à educação, o que é isso?

 

Trata-se basicamente do aprofundamento do entendimento dos mecanismos neurais relacionados aos aprendizados, como memória, atenção, planejamento, raciocínio lógico etc. Tudo isso com objetivo de melhorar a educação e melhorar também a vida de quem tá sentado assistindo a aula, que está aprendendo. A gente não aprende só quando estamos na sala de aula, mas o tempo inteiro.

 

Verônica Ribeiro diz ser uma neurocientista de formação pois, na verdade, não existe uma formação em Neurociência. É bióloga da primeira graduação e desde o primeiro semestre de iniciação científica (programa que tem nas universidades do país), procura se aprofundar mais nos conhecimentos da Neurociência. Uma das coisas que mais promoveu seu conhecimento é a democratização da Neurociência, do conhecimento. Isso a motivou de muitas formas, inclusive na condução de sua própria formação acadêmica para continuar aprendendo, ensinando para outras pessoas e conhecendo novos recursos e estratégias para tornar esse mecanismo mais fácil. Fez mestrado em Neurociências e está finalizando o Doutorado em Neurociências.

 

Tem trabalhado com educação, mas também já teve uma pequena empresa de cursos livres cujo foco eram os cursos livres na área de Neurociência, iniciação à Neurociência, farmacologia, evolução do cérebro... Se especializou na área Educacional e outras áreas como UX design (experiência do usuário) ou Learn Experience (design de experiência de aprendizagem).

Ela afirma que existe uma importância enorme da Neurociência na Educação, especialmente nos dias de hoje, quando começamos a questionar os modelos de aprendizado e de ensino que vem perpetuando há séculos. O modelo Professor-cadeira-quadro-prova foge do aprendizado real, aquele para aprender para fazer prova, para passar de ano, é totalmente improdutivo.

 

Verônica diz que esse é um tema é extremamente relevante para a sociedade como um processo de aprendizagem que permeia o nosso dia a dia como quando mudamos nossa rotina, quando queremos ter mais disciplina para ir para academia ou para aprendermos uma tecnologia nova. Afirma que o processo de ensino e aprendizagem é inerente ao ser humano. Desta forma a primeira coisa que a gente deve se perguntar o que é de fato a aprendizagem.

A aprendizagem é fruto das nossas experiências pessoais com a interação com o meio ambiente somada a nossa disposição genética que, causa mudança a nível celular, células formam tecidos, tecidos formam órgãos, órgãos formam sistemas e os sistemas formam o nosso organismo. A nível celular ele acaba se arranjando em uma série de conexões neurais. Essas mudanças são capazes de modificar uma série de questões como padrões e estruturas. Essas mudanças têm algumas consequências. Consequências comportamentais e emocionais que no final mudam a nossa forma de agir e pensar frente a um contexto.

 

 

Veronica indaga como a Neurociência pode estar de alguma forma a lidando com a educação nesse sentido. Explica que ela pode vir como uma ferramenta, uma estratégia de aperfeiçoamento. A Neurociência trabalha com grandes questões históricas como, por exemplo, adaptação ao meio, a evolução, como nosso cérebro e se modificou para a gente lidar com o ambiente que nos cerca. Menciona a dicotomia da razão versus a emoção mas que ainda permeia o senso comum e influencia as atividades, comportamentos, estratégias comerciais e muitas outras coisas.

 

A Neurociência também lida com linguagem e comunicação. Quando pensamos na questão da evolução humana, muito do nosso processo evolutivo como sapiens devemos a nossa capacidade de comunicação. A capacidade da nossa linguagem de se adaptar a diversos contextos como os memes, que é uma linguagem da internet, que de alguma forma a gente entende. Evolutivamente falando a gente precisa viver dentro de uma sociedade. É interessante conseguir lidar com outras pessoas da melhor forma possível por uma questão de sobrevivência. Na Neurociência junto a Educação conseguimos otimizar esses processos.

É preciso entender como a Neuroplasticidade funciona. Neuroplasticidade é justamente a capacidade do cérebro de fazer essas novas conexões neuronais, de aprender novos comportamentos, novos conceitos, conhecimentos e se adaptar a novos contextos. Hoje a Neurociência e Educação vem para garantir o sucesso.

 

A Neurociência focada em Educação teve seu início nas três primeiras décadas do século 20 com a expansão, conhecimento e transformação da Psicologia como ciência e como profissão. Pesquisadores tentando entender mais estruturas cerebrais, a estrutura do corpo humano. O desenvolvimento de coisas que hoje parecem básicas para gente como, por exemplo, observar no microscópio técnicas de coloração de células para vermos perfeitamente neurônios se mexendo, neurônios se formando. Hoje, mais atualmente, dentro do Século 21, que é considerado o século das Neurociências, essa interface tecnológica, Inteligência Artificial, Big Data.

 

A faceta interdisciplinar da Neurociência permite a conexão com outras áreas do conhecimento que são muito ricas para nos conhecermos como ser, para aplicar, para reconhecer o outro, para a gente lidar com nossos trabalhos que é justamente fazer as interfaces da sociologia, matemática, ciências mais aplicadas para o Marketing, Engenharia, Arquitetura, Economia e a própria Gestão.

Hoje a interface da Neurociência com a Educação trás tópicos importantes de outras ciências, outras áreas que vem para agregar. Algo que é muito utilizado tanto para Neurociências para educação, quanto para o Neuromarketing, são as questões como a atenção e a memória. Principalmente a atenção, mas também as emoções, estão ali justamente para criar esse vínculo de memória, o vínculo afetivo, estão ali para servirem como um marcador somático.

 

Marcador somático é um termo criado por Antonio Damasio. São marcadores comportamentais e emocionais que fazem a gente entender alguns comportamentos e tentar criar estratégias de adaptações. A atenção é dividida em atenção seletiva, sustentada, alternada, concentrada e, entender como cada uma dessas atenções funciona, nos ajuda a criar estratégias para otimizar o comportamento e chegar no resultado que queremos, por exemplo. Na área da Educação, utilizando um processo de ensino e aprendizagem, no Marketing para conquistar um cliente, ter produtos com mais sucesso em vendas. Esses são marcadores já estabelecidos e, criando estratégias com eles, fazendo links com outras áreas do conhecimento e outras tecnologias que estão emergindo, criamos um contexto ainda melhor.

 

Verônica reforça a importância de utilizar os recursos tecnológicos. Hoje temos diversas formas, tanto no presencial quanto no online de fazer essa mensuração das estratégias de ensino, da percepção do usuário, pois o que é importante é conhecer ainda mais o nosso público. A maior tendência é conseguir agregar várias áreas do conhecimento, mas principalmente criarmos estratégias junto com essas ferramentas para conhecermos o nosso usuário. Dentro da educação, dentro de contextos educacionais formais como por exemplo uma empresa de Educação, existem várias questões a serem estudadas e otimizadas.

 

Como exemplo cita a própria experiência do usuário quanto a motivação e quanto ao consumo do material apresentado. Diz que a educação à distância veio para ficar, mas ela não é para qualquer pessoa. Deveria ser porque os profissionais da área trabalham para ajudar todos a se adaptarem ao novo contexto, mas atualmente ela é uma quebra de paradigma muito grande e precisamos lidar com esses pormenores. É necessário criar estratégias. Primeiramente não tentar copiar o modelo de sala de aula presencial para sala de aula online. O acesso ao recurso do material é diferenciado. Deve-se conhecer o contexto do aluno, ele tem uma internet boa para isso? Conhecer esse contexto ajuda os professores a estruturarem um ambiente virtual melhor.

 

Qual a tendencia da Neuroeducação hoje então? Entender o usuário para que ele continue aprendendo e continue interessado. Se o aluno vir que ele não está sendo motivado, que os recursos não estão representando algo significativo para ele, ele vai perder o interesse - não vai querer mais ficar ali perdendo tempo. Isso acontece tanto com alunos de Educação Básica, superior, pós-graduação. Existe um termo chamado meta cognição que é como o aluno avalia o progresso dele dentro de um contexto Educacional. A metacognição é simplesmente conseguir avaliar questões como motivação, atenção, memória, o quanto aquilo está sendo propício para ele ter aprendizado, para haver crescimento pessoal, profissional, acadêmico, estudantil.

 

Verônica diz que hoje temos ferramentas que ajudam muito neste processo, como a Inteligência Artificial. Ela nos ajuda a criar estratégias e processá-las para ser possível entender uma grande quantidade de informação e conseguir criar padrões que irão ajudar a tomar decisões. Salienta que, basicamente, é colocar o usuário, o aluno, o consumidor, no centro das atenções e criar estratégias junto a outras áreas e outras ciências para que seja possível otimizar esse processo de ensino e-aprendizagem.

 

Sobre o mapeamento do engajamento e motivação do aluno no ambiente presencial, algumas estratégias têm sido estudadas. Cita que uma das melhores, em sua opinião, que tem sido utilizada há algum tempo, é o feedback (pois ainda não enxerga como mensurar isso quantitativamente). As estratégias têm que ser centradas nas experiências do usuário então, é necessário criar uma mensuração objetiva com dados para se criar um padrão. A Neurociência entende algumas dificuldades dentro da sala de aula tanto presencial quanto no ambiente virtual de aprendizagem. Existem pessoas neurotípicas, que são pessoas “normais”, pessoas que tem um padrão comportamental regular e as pessoas neuroatípicas, que são as que apresentam algum tipo de mudança de comportamento que, tanto a sociedade e a ciência médica tratam como regular. Buscamos entender com a Inteligência Artificial, com o Big Data, justamente qual é o ponto fora da curva. Pode-se criar estratégias para trabalhar sobre ele. O uso das ferramentas depende do contexto da sala de aula.

 

O Design Educacional é uma área que está em profunda ascensão. É uma área dentro da Educação que usa conhecimentos das áreas de Gestão e Tecnologia para fomentar o processo de ensino e aprendizado. O termo Design Neuroeducacional é uma integração do design (que não só remete ao belo e funcional, mas haver um propósito, ser útil de alguma forma para o seu público) com Neurociência. É preciso entender o processo de ensino e aprendizagem utilizando os mecanismos Neurofisiologicos (o funcionamento do sistema nervoso e suas ramificações em todo nosso corpo) com os comportamentos e emoções que são expressos das mais variadas maneiras, entendendo tudo isso no contexto educacional.