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Neurohacks

 

Henrique Teixeira, Perito em inteligência de Negócios Digitais e estrategista de performance no Marketing Digital. Conselheiro, Empresário, Palestrante, Neuropesquisador e Professor de Especializações em Neuromarketing, aborda o tema “Neurohacks” com Cibele Marques de Souza, Diretora de Marketing da FasTest Brasil e João Pentagna, sócio-fundador da Atingir +.

 

Tópicos abordados neste Epísódio:

- O que é Neurohack

- O futuro e o neurocomportamento

- Os 3 os pilares que estão criando o futuro hoje

- “Black Mirror” está acontecendo hoje

- Neuromarketing e Inteligência Artificial

- Cases de hacks de Neuromarketing

Henrique inicia o episódio dizendo que, quando se fala de Neurohack estamos falando de hackear a parte neurológica do nosso corpo. No entanto o foco está em observar o comportamento de compra com hacks baseados em conhecimentos neurológicos.

 

Devido a toda sua bagagem profissional que se iniciou na área artística unida a Marketing e Vendas, ajudou Henrique a prestar atenção no comportamento das pessoas de forma neurologicamente correta. Isso abre um portal muito poderoso para atuar na influência de comportamento, obviamente de forma ética. Se forem usados certos gatilhos neurológicos, Neurohacks de forma consistente, é sim possível influenciar comportamento de compra ou realizar negociações de maneira muito poderosa.

 

Henrique explica que temos um mapinha do que vai acontecer no mercado nos próximos 5 a 10 anos. Temos, primeiramente, o neurocomportamento é um comportamento codificado pelas tendências neurológicas que a gente tem. Hoje pós era digital pois ele já é oblíquo, ou seja, já está em todos os lugares. Entender como as pessoas estão inseridas nesse contexto e se comportam é fundamental e obrigatório hoje. Ele complementa exemplificando que percebeu essa mudança para pós digital quando seu pai, que mora no interior de Minas Gerais, mandou uma mensagem via whatsapp no meio de uma fazenda.

 

Cibele diz que o futuro foi acelerado graças ao advento da pandemia global. Muitas coisas que iam demorar ainda anos para acontecer tiveram que ser antecipadas neste período, inclusive o comportamento das pessoas. Cita o exemplo de um amigo empresário que não se conforma que seus colaboradores se negam a voltar para o trabalho presencial.

Para Henrique, são 3 os pilares que estão criando o futuro hoje:

  1. Tecnológico
    1. Inteligência Artificial, não somente a que conhecemos hoje que funciona para a leitura de padrões e facilitação do acesso a informação, mas a autoconsciente. Este tipo está evoluindo para chegar em uma capacidade de processamento de informação maior que a de um ser humano, dentro da contextualização que ele consegue fazer. Hoje já temos máquinas que processam informações muito mais rapidamente que um ser humano consegue fazer. A diferença é que o ser humano processa informação de forma contextualizada e, neste futuro extremamente próximo, haverá máquinas com algum tipo de consciência. Isso quer dizer: também processar informação (dado abstrato) de maneira contextualizada.
    2. Realidade aumentada, virtual e internet juntas, que afloraram o Metaverso. O Metaverso vai mudar a maneira que a gente compra, come, namora, casa, inclusive sexo.
    3. Computação quântica não é só uma computação mais rápida, ela usa princípios de física quântica trazendo um incremento gigante na capacidade de processamento de informações. Um equipamento com computação quântica consegue quebrar, em poucos segundos, qualquer cerca criptografada do mundo.
  1. Cultural – Pensando em futuro, há a previsão para o tempo de 5 a 10 anos, o “white rain” ou “hard brain”, que é a junção dessas 3 tecnologias. Basicamente é o surgimento de uma Inteligência artificial associada a humanos dotados de más intenções e julgamento ético duvidoso, irá tornar pública todas as informações que hoje são privadas. Só isso mudaria completamente nossa cultura.

 

Henrique reflete sobre todas as conversas particulares expostas aos respectivos cônjuges, os e-mails privados dos colaboradores abertos para as empresas. Conclui dizendo que isso iria explodir nosso tecido social, mudando o comportamento humano.

 

  1. Ética – é o que gera equity e para haver critério de escolha entre certo e o errado. O futuro está sendo criado com base nas escolhas (éticas ou não) que estamos fazendo hoje.

Cibele comenta que o seriado “Black Mirror” da Netflix é presente e não futuro, o conteúdo dos episódios já está acontecendo e não estamos percebendo. Diz que a IA está presente no Neuromarketing hoje. A Fastest tem como base o uso dessa tecnologia para os experimentos de eyetracking online bem como leitura das microexpressões faciais.

 

Henrique diz que muitas empresas, como a FasTest já está utilizando o aprendizado de máquina para prever o comportamento humano em escala. A Inteligência Artificial pode ser usada para decodificar um padrão, ou seja, pega o completo comportamento humano, transforma em dados que são usados para ler emoções. Um uso de segundo grau é a IA, depois do padrão decodificado, interagindo com o ser humano para poder aprender de maneira mais rápida e aprofundada.

Ele cita um exemplo de uma IA para atuar provendo interações via chatbot. Primeiramente ela detecta padrão, depois conversa com as pessoas para testar suas hipóteses até aprender e ter um mecanismo prático de interação com o ser humano. Pode-se chegar a um ponto, através do Neuromarketing, que ela conseguirá decodificar o algoritmo do ser humano por mais complexo que ele seja (mas é limitado por questões biológicas) e, assim, modicar nosso comportamento. Isso já acontece hoje com os algoritmos do Instagram, por exemplo. Foi detectado um padrão suicida proveniente das interações dentro da plataforma e, o próprio algoritmo percebeu que se ele não mudasse certas mensagens, criaria uma onda de suicídio em massa em adolescentes. Informações deste tipo não são noticiadas porque, certamente, afetariam as ações da empresa.

 

Neste novo mundo pós digital, essas duas forças estarão lado a lado: Neurológica (entendimento do comportamento humano) e a interação digital escalável em plataformas. Isso é o que já está movimentando fortunas. Segundo Henrique, Neuromarketing e Inteligência Artificial é uma tendencia de mercado muito grande.

 

Henrique cita que não é necessário investimento em grandes experimentos para implantar o Neuromarketing, muitas vezes a aplicação de princípios é o suficiente para trazer grandes resultados. Ele menciona um case onde precisava gerar leads para uma campanha digital em sua carreira que usou Neuromarketing para resolver um problema. Disputar a atenção dentro de um universo de redes sociais é desafiador pelo excesso de anunciantes. A sacada foi observar como realizamos nosso processo visual: percebemos variação e luz nos olhos, mas processamos a informação com o cérebro. Os bastonetes são sensíveis a variação de contraste (claro/escuro, preto/branco noite/dia) e os cones, a cores. As redes sociais são muito coloridas e, cor em movimento, é muito complexa para o processamento cerebral. Henrique fez um teste de anúncios utilizando imagens estáticas com alto contraste de preto e branco para verificar se essa composição diferente no feed geraria mais engajamento. E deu certo com resultado 27% superior a meta!

 

Como outro exemplo de uso do Neuromarketing em sua vida profissional, Henrique menciona que utiliza bastante o “priming”. Priming é quando se passa uma camada de verniz antes de fazer uma pintura, é a base. No Neuromarketing, antes de fazer uma venda, se colocamos um elemento que começa a criar no público a pré-disposição para a venda, funciona muito melhor. Um elemento de exemplo podem ser os áudios em frequência theta (4 a 8 Hz) ajudam na fixação de algumas coisas e a lembrar com mais clareza.