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Neuroinovação

 

Cibele Marques de Souza, Diretora de Marketing da FasTest Brasil e João Pentagna, sócio-fundador da Atingir + abordam o tema “Neuroinovação” juntamente com Jose Chavaglia Neto é Economista PhD, escritor e palestrante tendo recém lançado o livro “Neuroinovação: como os inovadores criam valor”.

 

José foi professor de empreendedorismo e inovação na FGV Management e no curso de doutorado na Florida Christian University (EUA). Foi professor auxiliar de marketing turístico na Universidade Europeia (Portugal).

Estudou desenvolvimento de produtos na Universidade de Stanford (EUA), Pós-doutorado em Economia na EESP/FGV, Doutor em Métodos Quantitativos e Mestre em Gestão Empresarial pelo Instituto Universitário de Lisboa ISCTE/IUL (Portugal).

 

Tópicos abordados neste Podcast:

- principais recursos para se tornar alguém mais inovador

- importância de inovar hoje em dia (no mundo pós-covid19)

- como a neurociência explica os inovadores

- como o medo pode atrapalhar a inovação

- técnicas para aguçar a percepção para novas ideias de negócios

- Casos e exemplos

 

Muitas empresas querem inovar, mas poucas conseguem porque inovar não é uma tarefa simples, muito menos no momento em que vivemos (que ainda estamos na pandemia, mesmo que em uma situação mais favorável).

 

Jose Chavaglia acabou de lançar o livro “Neuroinovação: como os inovadores criam valor”. Esse livro mostra os principais recursos para se tornar alguém mais inovador e assim tirar suas ideias geniais do mundo das invenções e transformá-las em inovações com estratégias, táticas, insights, estudos de caso reais, curiosidade.

E sabemos que a inovação é capaz de colocar tanto a empresa quanto o profissional em outro patamar.

 

A característica de uma inovação é o lucro. O MIT não é a maior Instituição de Inovação do mundo, mas sim a maior de Invenção. Stanford é a maior em Inovação porque eles conseguem transformar as inovações em produtos e serviços que tragam lucro.

 

José exemplifica a vida antes e depois da pandemia com sua experiência de viagens constantes e, agora, atras de um computador. A pandemia trouxe a antecipação do uso de muitas tecnologias e, por consequência, o uso da criatividade e inovação. Hoje deve-se oferecer o que ninguém oferece e, portanto, a inovação é muito valorizada pois a mentalidade das empresas mudou – apenas fazer bem feito não mantém um negócio.

 

Cibele pontua que a inovação empresarial vem de pessoas comuns que tem problemas pessoais, vivem suas vidas cotidianas, estão passando pela pandemia. São elas que tomam as decisões quando as empresas estão desenvolvendo um produto ou serviço e, implicitamente, existe um complexo conjunto de fatores que podem favorecer ou não esse processo criativo. Ela questiona José se todos esses fatores externos influenciam na criatividade.

 

José diz que não é uma questão fácil de ser respondida se olharmos tudo o que foi feito em relação a economia e administração nos últimos 300 anos. Desde o Adam Smith até os dias de hoje não existe literatura sobre o profissional de inovação. Chega-se a um mito de como que um inovador é um cientista maluco, como no filme “De Volta para o Futuro” e não é! Esse profissional é uma pessoa comum, que convive conosco no dia a dia.

 

A Neuroinovação utiliza técnicas para que uma pessoa comum consiga desenvolver ideias e aplicá-las. Jose afirma que 95% destas ideias surgem fora do escritório, quando estamos com a mente fazia. A Ressonância Magnética Funcional, o equipamento que revolucionou a economia, foi inventada por Paul Lauterbur enquanto ele comia um hamburguer em um restaurante.

 

Um exemplo que José gosta muito é do Thomas Edson. Quando ele travava em sua criatividade, ele pegava duas esferas, uma bacia de metal e tirava um cochilo. No meio do cochilo as esferas caiam na bacia e ele acordava com o som produzido – nesta hora ele tinha os momentos “Eureka”. Hoje a Neurociência mostra que temos uma variação da frequência cerebral nesses momentos de descanso, mudando as ondas cerebrais ampliando a chance de ter um insight. A herança genética bem como a experiencia de vida também influencia a inovação.

 

José comenta que a percepção do produto Açaí em Belém do Pará é diferente da que os paulistanos têm, por exemplo. O Açaí no Sudeste é substituto do sorvete, mas no Norte é substituto do feijão com arroz pois faz parte da alimentação diária. Ele é batido na hora e consumido com uma farinha d´água, um peixe frito ou outra proteína.

 

Outro exemplo é quando chove em Ribeirão Preto que as mães querem que seus filhos entrem para dentro de casa para não ficar doente. No Pará é justamente o contrário, se chover, as crianças são instruídas a se molharem.

 

Quem é o potencial inovador? Quem enxerga oportunidade onde os outros não enxergam. Esse profissional não é só a pessoa que é remunerado para ter as grandes sacadas, mas sim qualquer pessoa de qualquer área, qualquer idade, qualquer segmento e qualquer QI pode gerar inovação. A inovação está disponível a todos. Melhorias incrementais também são uma forma de inovação.

 

Não existe criar em equipe, não existem cérebros interconectados. Brainstormings matam a inovação pois existe o peso das pessoas que tem o perfil de líder ou se comunicam bem que vencem a discussão. Ele deve ser usado para a fase de experimentação se o time quiser, não antes.

 

Aprendemos que fazer networking é muito importante, mas ser conhecido é mais importante. José diz que faz um teste em sala de aula perguntando qual foi o Diretor da empresa “Y” ou da “X” e ninguém sabe responder. No entanto quando ele pergunta quem foi o da Apple todo mundo sabe responder, ou seja, aí está a inteligência social do Steve Jobs. Não é sobre ser agradável ou simpático, mas ser reconhecido, ter a empresa e seus produtos reconhecidos.

 

João pontua que negócios estão expostos a riscos e eles nos despertam a emoção do medo. Questiona se o medo, sendo uma resposta fisiológica do nosso organismo, pode atrapalhar o processo de inovação segundo a Neurociência.

 

José responde dizendo que o medo no processo de desenvolvimento de um produto ou serviço inibe o profissional. Desta forma não é gerado lucro de monopólio de curto prazo... Posteriormente evita-se situações potencialmente arriscadas como se apresentar em público, apresentar um novo produto com conceito disruptivo, por exemplo. Quem tem medo do risco não se apresenta para o mercado e não inova. Se a inovação é assim e ela gera lucro, deve-se enfrentar o medo a menos que a empresa esteja disposta a crescer de maneira inercial.

 

Indica o livro “Talento Rebelde” da Francesca Gino, pesquisadora na área de Economia Comportamental e professora da Harvard Business School, que afirma que devemos ser rebeldes, batermos de frente com o status quo e nos apresentarmos de maneira diferente do usual para o mundo.

 

Neste livro também é citado o medo do ridículo. Quem poderia dizer que, hoje, nosso principal meio de comunicação seria o whatsapp? Quando uma ideia inovadora é colocada em pauta ela não pode ser provada por resultados porque eles não aconteceram ainda – literalmente se anda de olhos vendados.

 

João pontua que uma maneira de mitigar o medo é entender o que a sociedade está demandando. Muitas vezes isso não é claro porque nem os próprios consumidores sabem o que querem e cita a famosa frase do Ford: se perguntassem para os clientes na época, eles iam querer cavalos mais velozes e não o automóvel. Ele diz que, diante do fato de ser necessário ter a percepção dos demais, a inteligência social é muito importante para as inovações e os inovadores.

 

José concorda e complementa dizendo que primeiro se cria, depois educa-se o consumidor. Os consumidores já têm familiaridade com os produtos tradicionais, já sabem utilizá-los. A inovação é bem diferente pois algo novo será apresentado. Remetendo ao livro clássico do Oceano Azul, não se deve pensar muito no segmento de clientes, deve-se lançar e fomentar o sistema cerebral de recompensa da persona. Se não conseguir, a inovação não dará certo.